Bonifácio – Adultério
Abriu com cuidado a porta imaculada. Os olhos procuraram na sala retrô algum objeto que a denunciasse. Lá estava: uma sandália vermelha, solitária, entre a mesinha e o sofá. Era prova suficiente. Mais uma vez traído, fechou com cuidado a porta. Aguçou os sentidos e pôde escutar o barulho do chuveiro elétrico. Purificando-se ela. Quanto incomodo, quanto zelo.
- Se é pra ir, vamos de uma vez!
- E as cachorras, quando vamos dar as vacinas? Aquilo vence.
- Pegou as chaves?
- Peguei. Acho que guarda-chuva não, né?
- Hoje à noite ia bem uma carne de tatu, recheada.
Podia desligar o interruptor da caixa de luz, só por prazer. Mas era golpe sujo. Abandonaria o apartamento e a sua vida assim que saísse o dinheiro da ação trabalhista. Dera uma dentro não comentando nada com ninguém. Mas, na hora agá, ali, com a grana na mão, cederia aos seus encantos. Um trouxa sempre fora.
Entrou no quarto. Ela esquecera a toalha no cabide. Sempre igual. Pego-a e teve intenção de entregar. Ato contínuo, outro pé da sandália vermelha atirada desdenhosamente em cima da penteadeira, presente da tia Dulce, a incriminava inapelavelmente.
Sentou-se na cama, esperaria ela sair molhada do banho, e com a cara de tolo entregaria a toalha não sem antes desviar os olhos.
Em 25.10.2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
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