Bonifácio – O Roubo
Rondou a gôndola por instantes, cachorro perseguindo rabo, focinhou para os lados com discrição. Enfiou o furto no bolso no exato instante que o segurança entrou no mesmo corredor do supermercado. O ronda freou o passo e mediu os atos de Bonifácio. Tudo parado. Atacante na marca do pênalti pronto para bater; arqueiro na expectativa; torcidas atentas. A metodologia aplicada à técnica se mostrava viciada, seria pegou pela terceira vez em menos de dois anos. O segurança avançou decidido em direção ao infrator.
- Dinheiro na poupança só adianta se a gente coloca sempre mais.
- E do jeito que anda, vai longe ainda.
- Tu vai ou não comigo?
- Tô com dor de barriga. Acho que não.
- Vai pedir dinheiro pra eles para ver os juros...
- Não esquece dos ovos de codorna.
Chegar em casa sem a iguaria seria catastrófico, Isaura ficaria irritada. E passar constrangimentos na sala do gerente era dose para mamute. E mesmo porque não tinha um puto na carteira. Quanta dificuldade!
O fiscal avançou decidido em sua direção. A centímetros de Bonifácio, calculou matematicamente a altura do amigo do alheio: primeiro nos olhos opacos, depois no bolso do contraventor. Por fim, um olhar cúmplice e passou ao largo dele. Bonifácio soltou a respiração suspensa por instante. Assim que se viu só e seguro, devolveu o furto para a ilha de mercadorias. Rabo de cachorro cotoco. Não convinha chegar à entrevista de emprego cheirando a salame italiano.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
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