terça-feira, 24 de agosto de 2010

Bonifácio – Uma Morte

Bonifácio – Uma Morte

Fechou a porta com cuidado, girando antes a maçaneta: lingueta para dentro, fechadura sem clique, ruído nenhum. Ainda com sangue nas mãos, descendo as escadas de granilite do edifício de 1954, tateou no bolso direito da camisa azul a carteira de cigarros. Logo que saísse à rua acenderia um para saciar o vicio. Fora tanta frieza desta vez que estava impressionado.

- Segunda-feira começa a vigília, vais?
- Vou. Mas antes me dou um tiro, com certeza.
- É uma semaninha só, parece que vai ter até salgadinho para quem ficar até o fim.

Aquele negócio de oferecer antenas digitais estava ficando muito manjado. As pessoas quase não abriam mais as portas, era muita coisa ruim acontecendo no mundo. Desta vez, se não mencionasse a tal da promoção, não entrava. E, coitada!, não deu nem um grito, medo puro, quase sem graça.

Só faltava passar o portão externo e pronto, estava livre. Não convinha pegar o cigarro agora, estava tentando para de fumar.

- O chuveiro está dando choque, qualquer hora destas fico grudada.
- Vai com um pano seco, usa chinelo. Tenho que inverter os fios para ver se funciona. Anísio disse que dá resultado. Tem o tal do neutro, também.

Bonifácio pensou em lavar logo a faca e se livrar da encrenca de uma vez. Logo ali uma praça com bebedouro. Era só esperar a mãezinha sair com o bebê e o cigarrinho seria acesso.

em 19.08.2010

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