Bonifácio – A Morte da Cachorrinha
A piscina estava com meio metro de água suja, esverdeada. Chamou a chihuahua estralando os dedos sete vezes. A cachorrinha veio faceira, balançando o rabo pitoco. Não teve trabalho de empurrar o bichano com a ponta da botina. Quanto tempo poderia o canino nadar entes de afogar-se? Era uma nova modalidade para Bonifácio. A temperatura elevada ajudava na tarefa.
- Há vinte anos atrás não tinha esta maloqueiragem.
- Claro que tinha, mas a gente corria a pau.
- Eles não cuidam mais dessas pracinhas. Olha o lixaredo?
- Tinha zelador, instrutor, Kombi que levava a gente para outras praças jogar.
- Vamos, tá na hora.
Ficou observando a cadelinha por cerca de dez minutos, a língua de fora acusava o golpe. De fato, o óbito por afogamento se daria logo. Também, tão fraquinho, pet shop toda sexta-feira, ração premium, semente nas orelhas anti-estresse. E Bonifácio tinha pressa, aquilo era crime menor para sua carreira. Tinha compromisso, joguinho com os colegas do sindicato. Damião no time adversário. Eh, eh, eh. Ele que esperasse pelo revide da canelada da semana passada.
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