Primeira Pescaria
O tio disse: vamos lá? E não demorei muito a me arrumar. Não poderia esquecer os tênis, afinal o açude estaria repleto de jacarés, traíras com dentes enormes, sapos cheios de verrugas. Ou seriam troncos de galhos, de maricás, presos no fundo da água barrenta? Bem, não importa. Desta vez eu enfrentaria tudo, e faria o arrastão com a rede, na medida ideal. Eu, dez anos, já estava na hora de me orgulhar de um peixe à minha altura. E o carro rodou estadas de chão batido, passou por cercas de arames farpados, porteiras danadas de ruim de fechar, touros enfurecidos. No trajeto fomos quietos, o silêncio é o segredo de um bom pescador. Chegamos. O açude estava quieto, parece que esperando a nossa chegada. Mudo, o tio esticou a rede, e com um lançar de sobrancelhas indicou a ponta que eu devia arrastar. E não foi muito, nem com muito esforço, que a rede passou, e o tio logo disse: fecha, Joãozinho! Fecha! E foi com espanto que, já na grama, sete peixes enormes, com bocas imensas, agitavam-se na tentativa da fuga. Cada peixe tinha o peso de um cusco médio, dos engrossados. Valente, peguei um por um, e os levei para a sombra da figueira centenária. Observei a perna que sangrava um pouco: talvez um mordiscar de filhotinho, jacaré baio, coisa pouca. Tinha sido a pescaria da minha vida, a primeira que eu guardei na memória. Do tio, tenho a lembrança da glória e da felicidade que sentiu. De mim, o orgulho que até hoje guardo.
Para João Eduardo e Rubens Bins, sobrinho e cunhado.
O tio disse: vamos lá? E não demorei muito a me arrumar. Não poderia esquecer os tênis, afinal o açude estaria repleto de jacarés, traíras com dentes enormes, sapos cheios de verrugas. Ou seriam troncos de galhos, de maricás, presos no fundo da água barrenta? Bem, não importa. Desta vez eu enfrentaria tudo, e faria o arrastão com a rede, na medida ideal. Eu, dez anos, já estava na hora de me orgulhar de um peixe à minha altura. E o carro rodou estadas de chão batido, passou por cercas de arames farpados, porteiras danadas de ruim de fechar, touros enfurecidos. No trajeto fomos quietos, o silêncio é o segredo de um bom pescador. Chegamos. O açude estava quieto, parece que esperando a nossa chegada. Mudo, o tio esticou a rede, e com um lançar de sobrancelhas indicou a ponta que eu devia arrastar. E não foi muito, nem com muito esforço, que a rede passou, e o tio logo disse: fecha, Joãozinho! Fecha! E foi com espanto que, já na grama, sete peixes enormes, com bocas imensas, agitavam-se na tentativa da fuga. Cada peixe tinha o peso de um cusco médio, dos engrossados. Valente, peguei um por um, e os levei para a sombra da figueira centenária. Observei a perna que sangrava um pouco: talvez um mordiscar de filhotinho, jacaré baio, coisa pouca. Tinha sido a pescaria da minha vida, a primeira que eu guardei na memória. Do tio, tenho a lembrança da glória e da felicidade que sentiu. De mim, o orgulho que até hoje guardo.
Para João Eduardo e Rubens Bins, sobrinho e cunhado.
Essas pescarias...que lembranças...e o sabor dos primeiros peixes...ainda lembro, gosto de óleo do Guaiba...deliciosos...
ResponderExcluirNo meu tempo só dava mandin...
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