Bonifácio – Feliz Aniversário
Sentou com cuidado no sofá da sala de estar. Baixou a cabeça e verificou que o verniz do assoalho estava bem gasto. A mesa posta, uma torta de morango com a vela destacada para o parabéns. Bonifácio não tivera tempo de lavar as mãos e aquilo lhe dava a impressão de que tudo em si estava sujo. Ouvia conversas paralelas, contudo não distinguia os assuntos, o remédio fazia-lhe falta.
- Bah, mas tu tá sempre com essas bicheiras nas mãos!
- Isso é de trabalhar, não tenho tempo pra boutique.
- Tu tem é que te cuidar, sempre avoado, pensando besteira.
- Te devo alguma coisa? Pega a colcha, tá frio.
Se tivesse tido um pouco mais de inteligência, Harold não estava com a chefia da repartição desde sexta-feira passada. E tudo por conta dessa maldita política que só serve para engordar os bolsos dos larápios. Que vergonha, não levar nenhum presentinho para a Tia e ainda mentir que não tivera tempo. Por certo ela tinha notado a cara de derrotado dele.
Bonifácio olhou para Isaura e pensou que daquele mato não saía coelho. E como ria a desalmada! Ria mostrando todos os dentes. Meu deus, a vida andava toda enrolada e a outra naquela felicidade descabida. Hoje à noite teria uma conversa séria: ou ele ou o gato.
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ResponderExcluirLegal! Como um poema: aberto para várias interpretações...
bj.