segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Casa Do Bonifácio

A Casa Do Bonifácio

O que que era mesmo que Bonifácio pensava?
Ah, era sobre pregos...
Precisava deles para fazer sua casa, mas não os tinha. Nem pregos nem o resto, não tinha era nada, mas primeiro pensou nos pregos. Por uma associação de idéias chegaria a casa pronta. Lá adiante, bem no final da confecção da casa, pensaria em tintas. Tintas vibrantes e fortes, para finalizar a casa.
Imaginava os vizinhos:
- Aí, Bonifácio! Tá bonita, hein?
E ele sorriria, convidaria para um mate, uma conversa sobre política, religião, finanças, relações internacionais, et cetera.
E pregos eram o início da associação de idéias e a construção da casa. O terreno também não tinha, mas conseguiria. O governo com certeza doaria a área depois que apresentasse o projeto e mostrasse os pregos. O governo sempre é generoso com o povo.
A procurar e pedir, saiu pelos bairros, pelo centro, entrou nas oficinas e bateu nas casas. Insistiu, toc-toc, ó de casa, com licença, Bonifácio, pregos. E de fato conseguiu a doação de uns cinco ou seis quilos de pregos. O povo é generoso. Novos, velhos, tortos, tamanhos variado, mas todos da família dos pregos e produzidos com o ferro que a mãe natureza deu.
Naquela noite deitou serenamente, beijou com doçura o rosto da companheira e antes de pegar no sono imaginou a casa, o jardim, a roseira rosa.
Ah, e as tábuas... As tábuas, as pedras, as telhas. Tudo na sequencia para o projeto, numa associação de idéia.
Bonifácio, sem dúvida, saberia resolver os meandros da empreitada, parte por parte. A humanidade é generosa.

Era isso que Bonifácio pensava.




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