SAUDADE
Eu sou apenas um garoto ao teu
lado, agora, aqui.
Vejo tu fazendo tricô, com tuas mãos
experientes, o novelo azul, blusão pro colégio. A gente quase não conversa mas
trocamos tanto sentimento que me comovo. Sei que logo vais me perguntar se
estou com fome e tu me darás pão com manteiga. Sei que nossos cafés,
pontualmente às quatro horas, são feitos de pão, manteiga e amor.
Eu sei que esse tempo não existe
mais, eu sei que tu me deixou aqui, hoje bem mais velho mas com os mesmos olhos.
Estou sentado nesse banco vermelho, olhando a praça, ouvindo os pássaros, vendo
quem passa. Mas eu não posso deixar de inventar esse momento porque ele me faz
tão bem agora.
Sentado ao teu lado, te vendo
tricotar, sinto uma proteção enorme desse mundo mau. Eu do teu lado enfrento
tudo e ainda sorrio. Tuas mãos experientes e teu olhar atento no trabalho me
transmitem o gosto pelo viver. O mundo agora é bom. Simplesmente.
Sei que isso tudo só é possível
porque invento, sou um inventor de sonhos bons. Neste tu estás. Porque inventar
faz parte da vida e pode tornar tudo mais calmo e bom.
Após alguns meses, hoje passei por aqui para deixar um abraço. Parabéns! Teus contos são envolventes.
ResponderExcluirObrigado, meu amigo.
ExcluirEscrever é coisa difícil...
abraço,
Alexandre