Bonifácio - Adeus
Bonifácio abriu os olhos, era a mulher dando-lhe bom
dia, pintada, dourada e pronta pra sair.
Sentiu no peito o golpe forte, ele seria abandonado naquela
manhã.
E o cheiro do perfume dela denunciava a traição.
Bonifácio nunca mais a veria, nunca mais sentiria o seu
beijo doce, suas mãos suaves, seu olhar meigo. Nunca mais meu amor.
O perfume a denunciara e ele entendeu isso naquela manhã. O
perfume que ela ganhara do amante na noite anterior. Sem brigas ou discussões.
Sem dores e emoções. Seco e doloroso feito um soco no estômago faminto.
Dando-lhe bom dia ela saiu. E Bonifácio ficou ali, olhando o
forro vagabundo de plástico, sem ânimo, perdido, morto.
E o cheiro do perfume permaneceu.

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