Bonifácio – Precisa-se de Costureira
Bonifácio caminhava a passos de passeio pelas ruas da cidade antiga. Contemplava as coisas como se fossem obras de arte de um artista desconhecido. Cada reboco de janela lhe revelava um sonho, uma lembrança, uma utopia. Num desses devaneios, Bonifácio viu a placa escrita à caneta grossa:
- Precisa-se de costureira com prática em alinhavos.
Por uma associação de ideias que só os sonhos podem alinhavar, Bonifácio lembrou-se da mãe falecida há mais de vinte anos. Engraçado, sua mãe nunca fora costureira e sequer a viu fazer uma bainha de calça.
Bateu a janela da costureira e foi recebido por uma simpática senhora.
- Bom dia, senhor!
- Bom dia, senhora! Minha mãe é uma excelente costureira, falarei com ela à tarde sobre a oferta de emprego, disse Bonifácio.
- Pois não, meu senhor. O serviço tem sido muito, preciso de uma pessoa disposta.
- Muito grato. Vou correndo avisá-la.
Saiu dali satisfeito e seguiu com o mesmo passo de turista observando as minúcias construídas pela humanidade. Trazia uma satisfação no peito, tinha feito a mamãe ressuscitar, dera-lhe vida. A tarde passaria no cemitério municipal São Miguel e Almas para dar a boa nova. Era Natal.
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Achei fantástico!!
ResponderExcluirbjs.
mila